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Clínica Esportiva

Creatina

Como alguns ja sabem  a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – liberou no dia 26/04 o uso da creatina para atletas. Mas você sabe o que é a creatina? Do que é composta? E como consumir corretamente este suplemento?

Estaa sao algumas das perguntas que  vamos esclarecer agora.

 

A creatina foi identificada pelo cientista francês Michel Chevreu, em 1835, quando este relatou ter encontrado um novo constituinte orgânico nas carnes. Este constituinte foi então denominado creatina.¹

 

No início do século 20, as pesquisas sobre creatina começaram a ganhar espaço. Estudos relatavam que nem toda a creatina ingerida era encontrada na urina, indicando que o organismo armazenava uma parte. A partir dessa constatação, novas descobertas foram realizadas, tais como a influência da ingestão de creatina sobre seu conteúdo muscular, a concentração total de creatina em seres humanos, e até a existências de formas diferenciadas da creatina, como creatina livre e creatina fosforilada.²

 

Segundo Maughan ³, nos últimos sete anos o estudo da fisiologia do exercício tem dispensado considerável atenção aos efeitos da suplementação de creatina sobre a performance esportiva. Conseqüentemente, esse tipo de suplementação tem despertado particular atenção entre os principais órgãos da imprensa mundial, tornando-se cada vez mais popular.

 

De acordo com essa justificativa, inúmeros estudos têm demonstrado que a suplementação de creatina é capaz de otimizar o desempenho esportivo e retardar o início da sensação de fadiga em exercícios de alta intensidade e curta duração.

 

Os poucos estudos realizados com atletas altamente treinados têm apresentado resultados controversos; a grande maioria apresenta dificuldades em demonstrar melhoras significativas no desempenho em decorrência desse tipo de suplementação, os estudos com atletas de alto nivel tem revelado que a suplementação de creatina pode nao ter efeito pois este individuo possue estoque altos de creatina endogena sendo assim a suplementação serias desnecessaria.5

 

Diversos estudos realizados com indivíduos não treinados vêm demonstrando que a suplementação de creatina é capaz de otimizar a performance em exercícios de alta intensidade e curta duração.6,7,8

 

Um efeito secundário da suplementação de creatina vem sendo observado em grande parte dos estudos disponíveis na literatura. Trata-se do ganho de massa corpórea, determinado por um aumento de massa magra.  Em contrapartida, diversos estudos têm demonstrado que o aumento de massa magra é uma conseqüência de um acúmulo hídrico no meio intramuscular, conseqüente do alto poder osmótico da creatina. 9

   Vias energéticas. 

Os seres vivos se caracterizam pela complexa capacidade de converter diferentes tipos de energia presentes no ambiente, sendo que somente a energia química presente nas moléculas que compõem nossa dieta alimentar pode ser utilizada como uma fonte de energia corporal pelo homem. 

Dependendo da intensidade e da duração do exercício, assim como da aptidão do participante, as relações dos sistemas corporais para a transferência de energia diferem acentuadamente. Entre esses sistemas, podemos destacar: o sistema fosfagênico, que inclui o ATP e a fosfocreatina, o sistema do glicogênio ácido lático e o sistema aeróbico. 10

 

Vias energéticas

 

 

 

Primeira via energética Imediata ATP-CP.

A fosfocreatina celular, juntamente com seu ATP, é conhecida como sistema energético do fosfagênio. Em conjunto, podem proporcionar uma potência muscular máxima por um período de 8 a 10 segundos, quase o suficiente para uma corrida de 100 metros. Assim, a energia proveniente do sistema do fosfagênio é utilizada para os curtos surtos máximos de potência muscular. 10

 

Segunda via energetica Anaeróbio.

O glicogênio armazenado no músculo pode ser desdobrado em glicose, que será então utilizada para energia. O estágio inicial desse processo, denominado glicólise, ocorre totalmente sem o uso de oxigênio e, por conseguinte, é considerado metabolismo anaeróbico. Pela incapacidade da mitocôndria metabolizar todos os subprodutos do glicogênio, grande parte do glicogênio muscular transforma se em ácido láctico; todavia, ao fazê-lo, são formadas quantidades consideráveis de ATP, sem consumo de oxigênio. 11

   

Terceira via energetica Oxidativo.

 O sistema aeróbico dispõe de estoques muitas ordens de grandeza mais extensas que o dos outros dois sistemas, existindo ainda a opção da degradação de componentes celulares para fornecer elementos para esse sistema. 12

Metabolismo Da Creatina.

A síntese de creatina é realizada no fígado, rins e pâncreas, tendo como precursores três aminoácidos distintos: arginina, glicina e metionina. Esse processo de síntese tem início a partir da arginina, da seguinte maneira: o grupo amino da arginina é transferido para glicina, formando guanidinoacetato e ornitina, através de uma reação mediada pela enzima glicina transaminase (GT). Em seguida, o guanidinoacetato é metilado pela s-adenosil-metionina, através da ação da enzima guanidinoacetato N-metil transferase (MT), derivando, finalmente, a creatina. 4

Síntese de creatina a partir da arginina. Fonte: Mendes e Tirapegui. 13

 

 

Acredita-se que o músculo humano apresente um limite máximo de acúmulo de creatina entre 150 e 160 mmol/kg de músculo seco. De acordo com o fato de existir um limite de armazenamento muscular de creatina, indivíduos que, por razões diversas, apresentam originalmente concentrações musculares de creatina elevadas respondem menos intensamente à suplementação de creatina, quando comparados a indivíduos com níveis normais de creatina. Isso se deve ao fato de que os indivíduos que apresentam concentrações intramusculares mais elevadas encontram-se mais próximos da chamada concentração limite. 14

 Estima se que são necessários aproximadamente 1,1kg de carne crua para obter uma dose equivalente a 5g de creatina em pó. Todavia, se essa quantidade de carne fosse realmente ingerida, ocasionaria um excesso de proteínas, calorias e gordura. 15Em um homem de 70kg, a quantidade total de creatina corporal é de aproximadamente 120g, sendo encontrada principalmente na forma fosforilada nos músculos esqueléticos (95%).16 Os 5% restantes distribuem-se entre órgãos como o coração, cérebro, retina e testículos.17 

Um dos três aminoácidos usados na formação da creatina e a glicina, que compões cerca de 25% da gelatina. Supõe se que a suplementação por gelatina apresentava um potencial ergogenico, possivelmente por aumentar os níveis muscular de creatina fosfato. Muitos estudos foram desenvolvido entre 1940 e 1964, demonstrando evidencias de um efeito benéfico  sobre o desempenho, porem pesquisas mais recentes e controladas não relevaram efeito ergogêico significativo. 18

 

Creatina e Carboidrato.

 

A administração de creatina e carboidratos associados resultou em um aumento do transporte de creatina até o músculo, aumentando assim a retenção muscular deste nutriente. Os autores sugerem que a insulina estimule a enzima Na+-K+-ATPase, (bomba de sódio-potássio)  promovendo o co-transporte de Na+-Cr, o que provocaria os resultados observados no estudo. Outros estudos têm apontado resultados semelhantes, contribuindo para a hipótese de que a ingestão de carboidratos pode otimizar a captação muscular de creatina. 19

 

Segundo os experimentos de Green et al. (1997) 20, a ingestão de carboidratos aumenta a concentração e a absorção plasmática e muscular  de creatina (Figura 2).

 

Provavelmente a combinação de Cr com carboidrato, principalmente glicose (90g para cada 5g de Cr), permite que indivíduos se aproximem dos limites musculares máximos de Cr (160 mmol/kg de matéria seca) e, possivelmente, este efeito é mediado pela insulina. 21

 

Assim como existem fatores capazes de otimizar a captação de creatina, possivelmente existam fatores prejudiciais a esse processo. A cafeína tem sido avaliada como um possível inibidor dos efeitos da suplementação de creatina, porém, os mecanismos responsáveis por essa inibição ainda não estão totalmente esclarecidos. 22

 

Aumento de força e massa muscular.

 

Grande parte das pesquisas realizadas com a suplementação de Cr, que procurou observar seus efeitos ergogênicos sobre a força e a potência, mostrou resultados positivos. 23

 

Outro resultado interessante foi recentemente encontrado por Izquierdo, Ibnez, González-Badilllo et al. (2002).24 Neste estudo, no qual foram administrados 20 gramas de Cr ou Pl, durante 5 dias, o Grupo Creatina (n=9) apresentou aumento significativamente maior de força nos membros inferiores em relação ao Grupo Placebo (n=10), porém a suplementação de Cr não resultou em um aumento da força nos membros superiores.

                                                                                                  

Retenção Hídrica.

 

A Cr é uma substância osmoticamente ativa. Com isso, o aumento da concentração intracelular de Cr pode induzir o fluxo de água para o interior das células, explicando, em parte, o aumento da massa corporal magra observado após o período de carga da suplementação de Cr, tendo em vista que cinco dias seriam um período muito curto para induzir a hipertrofia muscular. 25

 

Porém, alguns autores acreditam na possibilidade deste ganho de peso ser devido, também ou exclusivamente, a uma maior síntese protéica. 26

Principalmente como resultado de longos períodos de consumo de Cr associado ao treinamento de resistência. 27

 Acidez Muscular. 

A creatina fosfato atua como principal sistema tampão metabólico no músculo, sendo responsável aproximadamente 30% do total da capacidade tamponante muscular, a resintese de ATP a partir de ADP e CP consome um íon hidrogênio (H+) no processo, assim a utilização de CP contribuiria para tamponar o H+, permitindo que o músculo acumule mais acido lático antes de alcançar a concentração hidrogenionica pH muscular limitante , possibilitando que mais exercício de alta intensidade seja realizado. 29

Yquel et AL.2002.30 relatam níveis de acido lático  pós exercício mais baixo após a suplementação com creatina.

 

 

 Estudos mostram que a creatina tem obtido resultados satisfatórios para atletas que competem ou treinam e modalidades de alta intensidade e curta duração. Também  tem mostrado que ser capaz   de induzir a um efeito ergogênico maior em indivíduos não treinados em comparação a indivíduos já treinados como mostra o estudo de  Mujika et al. 1996 5 

A creatina apresenta grande capacidade osmo-reguladora, conseqüentemente, o aumento do estoque intramuscular acarreta no influxo de água para dentro da célula. Portanto, a elevação do peso corporal pode estar relacionada à retenção hídrica. Como já observado anteriormente, a suplementação de creatina reduz o volume urinário, reforçando a hipótese do aumento do peso estar relacionado à retenção hídrica. 31  A instalação da fadiga no exercício de força parece ser multifatorial, tendo como causas em potencial a depleção de CP, a acidose intramuscular e/ou a redução do glicogênio muscular. 32

Hoje diversos estudos tentam abordar um possível efeito colateral com relação a suplementação de creatina, apesar da falta de estudos e de consenso na literatura disponível, a suplementação de Cr tem sido apontada como uma possível causadora de alguns efeitos indesejados, tais como: ganho de peso, diarréia, câimbras, distensões musculares devido ao aumento de força, O efeito indesejado mais provável e que tem sido apontado com maior freqüência é o aumento da massa corporal

 

Agora que vc ja conhece um pouco melhor sobre a suplemento de creatna, procure seu nutricionista ou seu medico e conversse com ele sobre a melhor forma de administração e consumo, e se este é o mais indicado para seus objetivos.

  

Procure sempre orientação de um profissional.

  Dr. Rafael Reno  

REFERENCIAS 

1-Demant TW, Rhodes EC. Effects of creatine supplementation on exercise performance. Sports Med; 28:49-60. 1999. 

2-Mendes RR, Tirapegui J. Creatina: o suplemento nutricional para a atividade física–Conceitos atuais.Archivos Latinoamericanos de Nutrición  (ALAN )v.52 n.2 supl.2 Caracas jun. 2002.

 3- Maughan RJ. Nutritional ergogenic aids and exercise performance. Nut Res Rev 12:255-280.1999. 4- Feldman EB. "Creatine: a dietary supplement and ergogenic aid." Nutr Rev; 57: 45-50. 1999,5. Mujika I, Chatard JC, Lacoste L, Barale F, Geyssant A. "Creatine supplementation does not improve sprint performance in competitive swimmers." Med Sci Sports Exercise;28:1435-1440. 1996.6-Aaserud P, Gramvik P, Olsen SR, Jensen J. "Creatine supplementation delays onset of fatigue during repeated bouts of sprint running." Scand J Med Sci Sports; 8: 247-251. 1998.7-Francaux M, Demeure R, Goudemant JF, Poortmans JR. Effect of exogenous creatine supplementation on muscle PCr metabolism. Int J Sports Med; 21:139-45. 2000.

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9-Hultman E, Soderlund K, Timmons J, Cederblad G, Greenhaf PL. "Muscle creatine loading in men". J Appl Physiol 1996;81:232-237.

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11-Stryer L. Bioquímica. 4. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 1995.

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15- Molina GE, Fontana KE. Desempenho da potencia anaeróbica em atletas de elite do muntain bike submetidos a suplementação aguda com creatina.2006.

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