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Clínica Esportiva

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Nutrição e Ginástica Artística

A nutrição como parte do sistema complementar da preparação esportiva, vem ampliando seu espaço de atuação e confiança dos profissionais e atletas empenhados na melhora do rendimento esportivo. Porém algumas modalidades, como a ginástica artística, ainda carecem de pesquisas na área nutricional que garantam suporte ao trabalho do corpo técnico.

 

Longas horas de treinamento disciplinado são exigidas para o domínio de manobras arriscadas e complexas da ginástica. A ginástica feminina consiste de barras assimétricas, exercício de solo, trave e salto sobre cavalo de pau. Os exercícios masculinos da ginástica são seis: exercícios no cavalo de pau com argolas, salto sobre cavalo de pau, exercícios de solo, barras paralelas, argolas e barras elevadas.

 

A Ginástica Artística exige do atleta uma composição corporal específica, já que sua forma e aparência são extremamente importantes. As preocupações e exigências estéticas muitas vezes levam os ginastas a desenvolver hábitos nutricionais errôneos que limitam o ganho de peso e crescimento. Além disso, a constante pressão para diminuir o peso pode levar a deficiências de cálcio e ferro. Enquanto algumas dietas podem temporariamente abaixar o peso, outras podem diminuir a taxa em que a energia é usada e contribuir para uma perda de músculos e até para o aumento da gordura corporal. Quando aliadas ao baixo consumo energético, intensos treinamentos físicos, baixos percentuais de gordura, ansiedade e estresse emocional podem gerar atraso na puberdade, induzir a amenorréia (ausência de menstruação), prejudicar o desenvolvimento ósseo e interferir no desempenho esportivo.

 

A ingestão desordenada de alimentos também pode ocasionar doenças como: bulimia, anorexia nervosa e padrões mais brandos de transtornos alimentares.

 

A intensa participação em atividades físicas modifica a porcentagem de gordura corporal. Mantendo-a relativamente baixa, os ginastas têm uma proporção alta de força em relação ao peso, o que é crucial para um desempenho bem sucedido. Porém, esses atletas têm necessidades nutricionais de crescimento, manutenção de tecido e de energia adicional devido à atividade freqüente.  Também é necessário o combustível antecipado para a alimentação dos músculos durante a prática esportiva. Por isso, eles precisam fazer esforços extras para consumir alimentos e líquidos suficientes e se manterem saudáveis.

 

Os ginastas devem fazer três refeições freqüentes e pequenas por dia, e lanches de três em três horas. A programação ideal deve incluir um bom café da manhã, um pequeno lanche no meio da manhã, almoço, um pequeno lanche no meio da tarde, jantar e um pequeno lanche à noite.

 

A ginástica abrange exercícios curtos de alta intensidade. Os esportistas têm grande necessidade de ingerir carboidratos, combustível básico para os músculos nesse tipo de trabalho. A baixa ingestão de carboidratos, associada ao reduzido consumo energético, contribui para uma redução nos estoques de glicogênio muscular, resultando em estresse adicional ao organismo e prejuízos nos treinamentos e competições. Por isso, os ginastas devem aproveitar todas as oportunidades para consumi-lo durante as refeições e lanches. Atletas de ginástica artística ganham um benefício no desempenho se bebidas esportivas, forem usadas durante os intervalos do esporte.

 

Além disso, os ginastas devem ingerir uma grande variedade de alimentos que forneçam um equilíbrio de nutrientes. O cardápio deve concentrar-se em carboidratos (pães, cereais, frutas, verduras e legumes). Não deixar de incluir alimentos que sejam fontes de proteínas e que contenham as vitaminas solúveis A, D, E e K. Carnes (bovina, frango, peixe e porco) são excelentes fontes de proteína, ferro e zinco, importantes nutrientes para o atleta se manter saudável e com um alto nível de desempenho esportivo. A ingestão de frituras, produtos derivados do leite, embutidos (salsichas, salame) e gorduras (manteiga, margarina, carnes gordurosas) deve ser evitada.

 

Os atletas de ginástica artística devem apreciar todo o cardápio e lembrar que a alimentação variada é essencial para manter uma boa saúde e um excelente desempenho na prática esportiva.

  

Referências:

 

 

BERNADOT, D. Ginástica: tudo sobre uma boa nutrição. Disponível em: http://www.gssi.com.br/scripts/artigo/artigo.asp

RIBEIRO, B.G., SOARES, E.A. Avaliação do estado nutricional de atletas de ginástica olímpica do Rio de Janeiro e São Paulo. Revista de Nutrição, Campinas, v.15, nº2, Maio/Agosto de 2002. 

BORTOLETO, M.A.C., BELLOTTO, M.L., COSTA, G.E.A. Nutrição esportiva aplicada à ginástica artística: sistematização da produção científica. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 31, n°4, p.521-529, Outubro/Dezembro de 2007. 

ROGATTO, G.P. Composição e perfil antropométrico de ginastas masculinos. Revista Digital de Buenos Aires, Buenos Aires, v. 9, n°62, Julho de 2003.

 

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Ana Carolina de Oliveira Paes

CLÍNICA ESPORTIVA

2008

 
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