Nutrição Esportiva
O papel do omêga-3 em atividades de endurance
| O papel do omêga-3 em atividades de endurance |
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Excluídos os componentes hereditários e o condicionamento atlético, nenhum outro fator isolado ocupa papel mais importante que a nutrição no desempenho físico do atleta. Assim, nota-se a partir dos anos 60 o aumento no número de publicações relativas ao melhor conhecimento da nutrição do atleta. Esses esforços vêm sendo direcionados, essencialmente, em dois objetivos:
As conclusões já divulgadas permitem o consenso de que não há possibilidade da orientação nutricional única para todos os atletas. A heterogeneidade das modalidades esportivas e suas peculiaridades metabólico-energéticas selecionam o uso e as perdas de nutrientes específicos e, portanto, suas necessidades. Assim, vem se avolumando o número de trabalhos contendo informações nutricionais mais profundas, sobre cada uma das modalidades esportivas. Mesmo assim, nota-se, principalmente no Brasil, a falta desses conhecimentos específicos, tanto para os atletas como para seus treinadores. Essa falta de conhecimento é agravada, invariavelmente, pela vigência de hábitos nutricionais fundamentados em superstições, conselhos de amigos ou reportagens em imprensa leiga. Em busca de ganho de massa muscular e com medo de aumentar a gordura corporal, muitos esportistas, atletas e mesmo sedentários, reduzem drasticamente o consumo de gorduras da alimentação. Porém, essa conduta pode prejudicar tanto a saúde do individuo como sua performance. Principais funções que as gorduras desempenham em nosso corpo :
A alimentação de quem busca um melhor desempenho nos treinos, sem deixar de lado a saúde, deve conter um percentual de gorduras entre 20% a 25% das calorias totais diárias, dando a devida atenção à qualidade da gordura proveniente da alimentação. Existem 4 tipos de gorduras nos alimentos:
Todas elas tem o mesmo valor calórico (9 kcal por grama) entretanto, as 4 agem de formas diferentes em nosso corpo. As gorduras poliinsaturadas e as monoinsaturadas são conhecidas como as gorduras "do bem". Dentro desse contexto, vem sendo investigado em atletas nadadores particularmente, a ação de ácidos graxos nos mediadores bioquímicos associados ao metabolismo lipídico. Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 (AGPI N-3) vem atraindo a atenção de inúmeros pesquisadores pelo seu papel em estimular o metabolismo lipídico e turnover de lipoproteínas. A suplementação de ácidos graxos N-3 em atletas nadadores altera os indicadores bioquímicos do metabolismo lipídico, influenciando na redução das lipoproteínas plasmáticas, ricas em colesterol e na prevenção de doenças cardiovasculares. Outras pesquisas em bioquímica nutricional de lipídes, sugerem que uma suplementação diária de dieta com ômega 3 e vitamina E pode livrar atletas das freqüentes lesões musculares, causadas por atividades físicas intensas. Ou, pelo menos, amenizar as lesões de forma significativa, reduzindo o uso de fármacos antiinflamatórios, que possuem vários efeitos colaterais potenciais. Ao ser submetido a esforços intensos, o organismo, produz naturalmente uma série de substâncias e compostos químicos /bioquímicos, relacionados às lesões, como protaglandinas, tromboxanos e algumas enzimas. São substâncias mediadoras de processos inflamatórios, de estrutura semelhante aos ácidos graxos poliinsaturados ômega 3. A diferença é que os ômega 3 não estimulam processos inflamatórios. Quando o atleta adota uma suplementação dietética, o ômega 3 compete com os outros compostos na síntese bioquímica, mas sem produzir as lesões. Tem sido usados, em especial, os ômega 3 conhecidos como eicosapentaenóico (EPA) e docosahexaenóico (DHA). Deve-se ter cuidado com a oxidação, que resulta na produção de radicais livres (associados ao envelhecimento),motivo pelo qual está sendo estudado a suplementação de ômega 3 junto com vitamina E, que é o melhor antioxidante natural existente. Vale ressaltar, que a produção dos outros compostos – genericamente chamados de série 2 ou ômega 6 – não deve ser totalmente inibida, pois são substâncias importantes para outras funções do organismo, como controladores naturais da pressão arterial e mediadores da dor. Em conclusão, sabe-se que atletas competitivos treinam exaustivamente e essa rotina de exercícios leva o organismo a um alto desgaste, principalmente se for associada à inadequada ingestão alimentar. Portanto, a suplementação de ácidos graxos ômega 3 é essencial para o controle adequado do perfil de lipoproteínas, além de promover um estímulo para a oxidação de ácidos graxos, e contribuir para a performance do atleta. Referências Bibliográficas AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION; DIETITIANS OF CANADA; AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE - Position of American Dietetic Association, Dietitians of Canada and American College of Sports Medicine: Nutrition and athletic performance. J. Am. Diet. Assoc. v 100, n.12, p. 1543-1556, 2001. ANDRADE, Priscila de Mattos Machado; RIBEIRO, Beatriz Gonçalves; CARMO, Maria das Graças Tavares do. Suplementação de ácidos graxos ômega 3 em atletas de competição: impacto nos mediadores bioquímicos relacionados com o metabolismo lipídico. Rev Bras Med Esporte , Niterói, v. 12, n. 6, 2006 . MAHAN, K. - Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 8ª edição. São paulo: Roca, 1995. SOARES, Eliane A.; ISHII, Midori; BURINI, Roberto C.. Anthropometric and dietetic study of competitive swimmers of metropolitan areas of southeastern Brazil. Rev. Saúde Pública , São Paulo, v. 28, n. 1, 1994 . http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2003/ju211pg06.html
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